O que parecia uma refatoração de site institucional virou, na prática, um sistema de produção de conteúdo com IA como copiloto de pesquisa, aplicado a um domínio difícil: compliance financeiro. E, no caminho, a descoberta de um risco técnico que bloqueava qualquer evolução.
O ponto de partida era um dado de analytics: engajamento baixo no site institucional. Mas, ao investigar, apareceu um segundo problema, mais perigoso, escondido atrás do primeiro. UX fraca e dívida técnica conviviam no mesmo lugar.
Conteúdo difícil de entender e navegação que não sustentava a leitura de produtos financeiros complexos.
Uma arquitetura defasada que, sozinha, já bloqueava qualquer evolução do site. Sem resolver isso, nenhuma melhoria de UX importava.
Para cada produto do banco, montei um processo repetível. O ponto não é ter usado IA, é não ter pedido para a IA “escrever o site”. Decompus o problema em pesquisa estruturada primeiro, e usei IA como ferramenta de síntese em cada etapa, com curadoria humana entre elas.
Lâminas técnicas. Captar, ler e reservar a documentação de cada produto, do agronegócio a cash management.
Entrevistas com especialistas. Conversas gravadas com quem domina cada segmento, transcritas para virar fonte consultável.
Benchmark de incumbentes. Análise visual dos bancos concorrentes, alguns descobertos nas próprias conversas com stakeholders.
Síntese com IA. Lâminas, transcrições e benchmarks entravam num prompt de estudo e comparação, com critérios que eu definia.
A leitura técnica do produto, organizada e pronta para virar conteúdo.
O que os especialistas trouxeram nas entrevistas, sintetizado por tema.
A comparação com os incumbentes, segundo critérios definidos por mim.
Os três artefatos alimentavam um segundo prompt, que descrevia a estrutura da página com regras claras de conteúdo, incluindo o que fazer e o que evitar. A arquitetura de informação deixou de ser opinião e passou a ter uma base de pesquisa por trás de cada bloco.
A IA acelerou a síntese. A decisão sobre o que entrava na página continuou sendo humana.
Com o time de arquitetura, mapeamos o estado atual da infraestrutura. O site rodava em um serviço self-hosted sem atualização nem monitoramento. Isso abria dois riscos e travava qualquer evolução do institucional.
Superfície de ataque ampla e possibilidade de pivotamento, sem monitoramento para detectar.
O site institucional de um banco comprometido é, antes de tudo, uma crise de marca.
Trazer isso para a mesa transformou o argumento. A discussão deixou de ser só sobre UX e passou a sustentar a ida do projeto ao comitê executivo.
O caso está em avaliação no comitê, com as duas frentes amarradas no mesmo argumento: a melhoria de conteúdo e experiência depende de resolver a base técnica. Por propriedade intelectual do banco, os números de analytics foram mantidos fora deste portfólio.
Se o novo conteúdo sustenta a leitura dos produtos.
Monitoramento e estabilidade que antes não existiam.
Capacidade de iterar o site sem travar na infraestrutura.